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Os outros

Viver na expectativa da aprovação alheia traz um desgaste enorme. E achar que andar na linha traçada pelos “outros” é meio caminho andado para a felicidade é um erro de avaliação que as pessoas mais lentas, como eu, às vezes levam décadas para perceber. Hoje sei que os “outros” também têm os seus “outros” – tão óbvio, mas a ficha custou a cair. Enquanto você se preocupa com o que uma pessoa está pensando a seu respeito, na verdade ela está ocupada com o que outros pensam sobre ela – e, suprema ironia, entre eles pode estar você. Você pode ser o “outro” do seu “outro”, e saber disso tira dele uma dose considerável de poder – que, aliás, foi você quem lhe concedeu. Sei também – outra obviedade – que repetir “não estou nem aí para o que os outros pensam” e agir de forma ostensiva para prová-lo significa estar preocupadíssimo com a opinião alheia. Essa falsa rebeldia é uma forma de subserviência que a imaturidade estimula. Nesse caso, ponto para os “outros”.

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