Homilia do 3 Domingo da Páscoa

1 – Julgamento dos Apóstolos, no Sinédrio

Consideremos os Apóstolos no Sinédrio. Estavam diante da autoridade máxima do poder religioso judeu, o Sumo Sacerdote. Ele mesmo, em pessoa, rodeado pelos demais sacerdotes, todos autoridades em matéria de teologia e religião, proibindo a evangelização. Estavam proibidos de “contaminar” a sociedade com a doutrina de Jesus e com a Boa Nova da Ressurreição. Quando comecei a meditar a Palavra dessa celebração com a leitura do julgamento dos Apóstolos, no Sinédrio, veio-me à mente aqueles dias de fevereiro, nos quais repercutia a notícia da renúncia de Bento XVI. Lendo nos jornais, editoriais, notícias e comentários de populares, principalmente de grandes jornais que publicam matérias via internet, não foi difícil perceber que também hoje a Igreja vive a mesma situação dos Apóstolos, no Sinédrio. O mundo não vive sem religião, por isso, aqueles que não seguem nossa fé e nosso modo de viver o Evangelho, criam um “evangelho” ao seu modo. Outros criam deuses para suas mentalidades e opções de vida. É com tais valores que somos julgamos pelo “Sinédrio social” de nossos tempos.

2 – Uma Igreja feita à mentalidade social?

Os “Sumo Sacerdotes” de hoje são formadores de opinião, professores universitários, críticos sociais, analistas… Lembro que estava lendo, na internet, uma matéria sobre as pressões que o mundo moderno impõe na Igreja: a questão do celibato (nunca me perguntaram se quero ou não casar, mas para muitos, meu celibato não é um valor, é um absurdo). Aquela matéria colocava ainda a questão dos casamentos homossexuais, os anticoncepcionais, a liberdade sexual… são valores na sociedade atual e, as críticas dirigidas à Igreja vão na direção que ela deve calar; está proibida de dizer o que pensa para que cada um faça do seu jeito. Lembro de um Editorial que concluía assim: “se a Igreja continuar batendo na tecla de defesas morais contra tais costumes irá durar pouco”. O que este jornalista está dizendo é o seguinte: “ou a Igreja se torna igual a todo mundo e abençoa os novos costumes sociais ou irá à falência”. Quer uma Igreja à imagem e semelhança da sociedade. Mas, se isso acontecer, deixará de ser a Igreja; ao menos deixará de ser a Igreja católica.

 3 – Pedro evangeliza até mesmo o Sumo Sacerdote

Quando o Sumo Sacerdote decreta a proibição e condena os Apóstolos a uma surra de chicotes, Pedro aproveita a ocasião para evangelizar o Sumo Sacerdote e os membros do Sinédrio: “O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa Cruz.” Não porque é proibido pelo poder social — hoje representando em jornais, TVs, rádios, internet — que ele cala. É preciso ter uma fé muito pequena para ficar calado e achar que formadores de opinião (muitos deles conhecem pouco a Igreja) podem nos intimidar, proibindo-nos de expor nossas idéias, nossos valores porque querem que a Igreja abençoe o que as modas atuais estão ditando. A coragem de Pedro e dos Apóstolos, fortalecidos em sua fé na Ressurreição de Jesus, é motivo de imitação para todos nós. Não sejamos e nem precisamos ser agressivos, entrando em discussões que não levam a nada. É necessário, apenas, manter-se firme na fé e continuar conversando com o mundo de modo fraterno e, principalmente, educado. O grande perigo da Igreja é quando ela deixar de incomodar a sociedade por pensar diferente.

4 – Coragem e perseverança na fé

A situação que vivemos hoje, que sentimos de modo mais agudo nesse momento histórico da renúncia de Bento XVI e a eleição do Papa Francisco ofereceu uma oportunidade para que a sociedade, através dos meios de comunicação, se manifestasse a favor e contra a Igreja. Isso é um bom sinal, porque podemos reconhecer que a Igreja está viva. O final da 1ª leitura diz que os Apóstolos ficaram felizes por terem sofrido torturas em nome de Jesus. Não é uma felicidade masoquista, é claro, mas aquela alegria de saber que nossa voz é ouvida e questiona comportamentos. Aos que se tornam fracos diante das críticas, vale a pena ler novamente a 2ª leitura, que proclama a vitória de Jesus, sentado num trono de glória e de poder. Aos que se sentem enfraquecidos, vale a pena voltar a meditar o Evangelho, no decorrer da semana, e perceber que podemos sentir a presença de Jesus onde existe amor e onde existe disposição para ouvir sua Palavra, mesmo quando passamos um tempo sem nada pescar. A mensagem da Palavra se resume em duas palavras: coragem e perseverança na fé. Amém!

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