ARTE DE COORDENAR

(o perfil dos coordenadores)

Diz o apóstolo Paulo: “Quem preside, preside com zelo”, e com temperança. O zelo é a virtude que expressa o cuidado, a delicadeza e o carinho na fé apostólica. Quem cuida de almas, imagem santificada de Deus, só o poder fazer com zelo. A temperança é a virtude do equilíbrio no agir, expressão de respeito na caridade para consigo mesmo e para com o próximo. A temperança modera e sublima as forças interiores, levando-as a dominar e vencer as paixões.

O Coordenador é alguém que, como Cristo, serve e não será servido. Primará pela modéstia, pelo Espírito de caridade, pela alegria de servir. Será o “penúltimo” entre todos, porque o Cristo se fez o último. Nunca poderá ser infantil, cioso de glória, de autoridade, de prestígio, com a gula e a ansiedade de quem quer ser visto, elogiado, aplaudido e admirado.

O Coordenador deverá ser simples, até porque exerce uma função transitória. Se as circunstâncias obrigarem-no a tomar atitudes que o projetem e criem admiração, ele, com a mesma modéstia e naturalidade com que se iguala a todos os dirigentes, sobressairá, recolhendo-se em seguida no meio de todos e não se esquecendo de que, às vezes, é necessário mais modéstia e simplicidade para ocupar o primeiro lugar, do que para confundir-se com a massa anônima. Dizia alguém, que duas coisas concorrem para o sucesso e prestígio da autoridade: “A função e a fascinação”. Bem-Aventurado o Coordenador que souber conjugar a autoridade de sua função com a fascinação de sua bondade: alegria de servir amando com a felicidade de amar servindo.

Quando o Coordenador descobre o mistério do serviço no Evangelho e penetrar nele, descobriu o segredo da perfeição em seu ministério e nele penetrou. Repetiu, na sua dimensão, o paradigma de quem governa deve agir como quem serve, porque o maior deve tornar-se no menor (Lc 22,26 – VAT. II, nº126 1).

O Coordenador será justo, prudente, sábio, temperante, discreto, suave e forte e acima de tudo, obediente no reger. Assim, para ele será mais fácil governar e para os demais será mais fácil obedecer.

Enquanto o Coordenador não descobrir esse dever de servir, e servir segundo o exemplo de Cristo, fazendo como ele fez (Jo 13,15), estará tornando o Israel e os jovens num brinquedo, num passa tempo, num jogo de lazer. Tal atitude seria grave para o Israel, para os jovens e para a Igreja, porque o Coordenador converter-se-ia no empresário de uma diversão e faria do Encontro e do Movimento, o tempo e o espaço de suas fugas e de suas alienações; nunca de seus serviços ao irmão, expressão de sua fé e de seu amor a Deus, isto é, do seu zelo em anunciar o Reino e o tempo de salvação.

Ainda temperante, o Coordenador, na alegria de seus gestos e de suas palavras, evitará a linguagem vulgar ou a gíria grosseira, porque nada edificam, mal recomendam o Encontro e o Movimento e roubam-lhe a autoridade de servir. Saberá ser prudente e discreto, pois muitas vezes, é depositário de confissões e pedaços de vidas humanas, que confiaram na sua caridade e no espírito do Israel. Caber-lhe-á o cuidado do sigilo e esquecimento e a delicadeza cristã de não se perturbar e nem escandalizar-se com as feridas do próximo, mas saberá ser um “dócil samaritano”.

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