A EUCARISTIA – O QUE É.

A eucaristia é o centro, o cume, o ápice da vida da Igreja. A ela se ordenam todos os sacramentos e ministérios da Igreja.
O batismo é a porta que nos introduz na vida da Igreja, que nos leva a fazer parte do Corpo de Cristo, filhos de Deus e templos do Espírito Santo. O batismo nos dá a vida de Deus, a graça de Deus.
A eucaristia é a doação total de Deus ao homem. Na eucaristia, recebemos não só a graça, mas o próprio doador da graça: Jesus Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade.
A eucaristia é algo tão espetacular, violento, improvável, estranho, – diria até: difícil de aceitar – que Deus fez uma longa e cuidadosa preparação do povo, antes de se deixar entre nós neste mistério da eucaristia.

A EUCARISTIA É UM MEMORIAL
“Fazei isto em memória de mim”. Lc 22, 19 e 1 Cor 11, 24
No Antigo Testamento os símbolos, os ritos, as festas, embora com referências à natureza e aos momentos da vida social, tornam-se sinais de aliança, memória e atualização das obras admiráveis feitas por Deus na história, a favor de Seu povo.
De modo especial a Páscoa hebraica era a recordação, de modo participativo, da libertação da escravidão no Egito. Deus faz pelos participantes do rito Pascal, o que havia feito por seus pais no Egito.
O memorial comunica a graça do acontecimento recordado. Na forma de convito sacrifical, a Igreja revive o acontecimento total da Páscoa; realiza a memória da morte e ressurreição do Senhor, uma memória que não é apenas lembrança, mas uma reapresentação real do próprio acontecimento, no rito litúrgico.
O Crucificado Ressuscitado se torna presente como cordeiro imolado e vivo. O pão é realmente o Seu corpo doado. O vinho é realmente o Seu sangue derramado. A Sua Palavra, com o poder do Seu Espírito, realiza, na verdade, aquilo que anuncia. O pão e o vinho não são mais um alimento e bebida usuais; tornaram-se, por uma mudança singular e admirável, o que a Igreja chama de transubstanciação, o corpo e o sangue do Senhor, a Sua nova presença, verdadeira, real e substancial, dinâmica e pessoal, no ato de dar Sua própria pessoa, e não apenas a graça, como nos outros sacramentos.

A EUCARISTIA É UM SACRIFICIO

Sacrifício não é, originalmente, um ato custoso que implica dor, renúncia ou sofrimento.
Quando dou algo a uma pessoa, o que dou passa a ser dela, terá, conforme o caso, o seu nome, a sua marca ou o seu estilo. Um carro sempre sujo ou sempre limpo indica o dono que o possui.
O que dou a Deus passa a ser de Deus. Tudo o que é de Deus é santo. O que dou a Deus passa a ser santo, sagrado. Assim, uma casa, transformada em capela, passa ser sagrada. Uma madeira ou pedra, transformada em altar, passa a ser sagrada. Um metal, transformado em cálice, passa a ser sagrado.
Quando os povos antigos, ofereciam a Deus seus frutos, novilhos e ovelhas, essas oferendas passavam a pertencer a Deus. Passavam a ser santas, sagradas. Oferecer algo a Deus é fazer essa oferenda tornar-se santa, sagrada.
Diziam: “Santo fiz”- “sagrado fiz” – “sacro fiz” – donde nasceu a palavra : “sacrifício”.
Sacrifício é tudo aquilo que tiro de mim dou a Deus. Como os novilhos e ovelhas e pombos eram mortos no altar e para morrer passavam ainda pelo sofrimento e pela dor, a palavra “sacrifício” passou a carregar, também, o sentido de dor, sofrimento, morte.
Vítima – não é o que sofre. Vítima é o que é oferecido a Deus. Vítima seria sinônimo de “dom” – “presente”- “oferenda”!
Como a vítima era imolada no altar, passando pela dor, pelo sofrimento e sofrendo a morte, a palavra vítima passou a ter o sentido de ser “aquele que sofre”.
Deus é infinitamente perfeito e nada lhe falta. Tudo o que temos na terra é criatura de Deus. Depois que Jesus veio até nós, não tem mais sentido oferecer as coisas que temos como um sacrifício agradável a Deus. Hoje, o que temos de melhor na terra e agradável a Deus é o Seu Filho Jesus Cristo. Se quisermos fazer uma oferenda agradável a Deus, a única coisa que temos de bom e a maior é Jesus Cristo presente na hóstia consagrada.
Na Eucaristia, oferecemos ao Pai, o Seu próprio Filho Jesus Cristo que está presente na hóstia consagrada. Ele é uma oferenda pura, santa, imaculada e agradável ao Pai. Deus tem que aceitar! Deus não pode não querer receber nossa oferenda santa: o Seu amado e Único Filho!
Jesus que é o Santo, é o grande sacrifício que podemos oferecer ao Pai. A vítima subtraída ao poder humano. É o nosso dom a Deus. Passa a ser de Deus. Não oferecemos mais novilhos ou ovelhas, mas o próprio Jesus Filho querido de Deus!
Como não posso morrer no altar com Jesus, em cada missa de que participo, eu me ofereço ao Pai, com Jesus. Ofereço minhas alegrias, vitórias, realizações, meus trabalhos e também minhas contrariedades, tristezas, decepções, angústias, doenças e sofrimentos. Coloco minhas alegrias e dores junto às de Jesus, que no altar da missa, é oferecido ao Pai.
A partir do momento em que me ofereço a Deus, em minhas alegrias e sofrimentos, com Jesus, não tenho mais nem direito nem motivos para clamar da vida. Um católico que participa bem da missa vive sempre alegre na alegria de Jesus.
A oferenda sacrifical é um ato de culto – social, em grupo de pessoas. Não se pode oferecer em particular, em nome próprio. Mas um, pelo grupo, o sacerdote, oferece ao Pai o nosso Dom Jesus Cristo. Mesmo quando um padre rezasse sua missa sozinho, sem acompanhantes, ele estaria rezando em nome de um grupo de pessoas (sua comunidade) e não em nome próprio.
Na missa, Cristo é o sacerdote. Cristo é o nosso Dom, Ele é, também, a vítima. Quando um padre dá a bênção ao povo, ao final da missa. É Jesus Cristo que abençoa o povo na pessoa do Padre. É Jesus, que na pessoa do sacerdote, oferece ao Pai Jesus presente na hóstia e vinho consagrados. É um mistério. Mas aceitamos esse mistério em nossa vivência de fé.
Cada missa é o prolongamento do calvário; é a continuação da morte de Jesus, é um sacrifício, é um dom eterno.
Na missa Jesus nos congrega, nos reúne em torno Dele. Para participar bem da missa eu devo me transformar em dom, em vítima e com Jesus, entregar-me, no altar, ao Pai: – “Toma-me Senhor, e dá-me a generosidade de querer ser teu, sem condições.
O momento central da missa está na consagração. É o momento em que Jesus desce ao altar. É o momento de você se oferecer, com Cristo que morre na cruz. Não é momento de oração de louvor e adoração a Cristo. Todas as orações da missa são dirigidas ao Pai, não a Cristo!
Não é correto fazer nesta hora a bênção com o Santíssimo Sacramento. A bênção com o Santíssimo acontece em outro ato litúrgico, bem diferente da missa. Na missa estamos celebrando a morte e a ressurreição de Jesus. Na missa, sobretudo na hora da consagração estamos aceitando morrer com Jesus no dia a dia da nossa vida.

Jussara

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